Tônico antiqueda capilar desenvolvido pela UFMG começa a ser comercializado

Produto nanotecnológico tem ação local, reduz a perda de cabelo e contribui para o crescimento dos fios

Tratamento de uso tópico com efeitos comprovados antiqueda capilar, desenvolvido pelos professores Robson Santos e Frédéric Frézard, do Departamento de Fisiologia e Biofísica da UFMG, começou a ser vendido ao público neste mês. Classificado como cosmecêutico, isto é, cosmético que contém substâncias bioativas, o tônico Sanctio tem como diferencial o uso de nanotecnologia que possibilita o carreamento do principio ativo na derme e sua deposição no bulbo capilar.

Diferentemente dos outros tratamentos antiqueda, o produto utiliza componentes existentes no organismo humano, o que garante sua aceitação pelo corpo. “Sua forma de ação reúne três propriedades: aumenta a circulação sanguínea local e, com isso, o aporte de nutrientes no bulbo capilar, impede a morte das células responsáveis pelo crescimento do fio e apresenta ação antioxidante, o que retarda a queda e melhora a qualidade dos fios”, explica Robson Santos.

Além disso, por ser de uso tópico e formulação endógena, o Sanctio não causa os efeitos colaterais comuns aos tratamentos de calvície, como disfunção erétil e irritação local. O produto também pode ser usado para prevenir queda de cabelo e promover o crescimento dos fios após tratamentos de quimioterapia. Robson Santos destaca que o resultado não é imediato, sendo observado cerca de três meses após o início do uso.

Testes clínicos

A nanotecnologia envolvida na formulação consiste em vesículas lipídicas ultradeformáveis, o que possibilita que elas atravessem o estrato córneo, camada mais externa e menos permeável da pele. “As vesículas carreiam o princípio ativo e promovem sua absorção pela derme. Essa é uma das principais propriedades do veículo nanoestruturado”, explica o pesquisador Frédéric Frézard. As vesículas lipídicas também têm a capacidade de se acumular no bulbo capilar e, dessa forma, depositar o princípio ativo para que ele exerça suas ações.

Segundo Frézard, ensaio clínico com duração de 90 dias, com 60 voluntários que apresentavam alopécia, possibilitou a avaliação da eficácia e da segurança dermatológica. Os testes demonstraram que ocorre manutenção dos fios na fase anágena (fase de crescimento do cabelo) e prevenção de queda. “Comparando com o grupo de voluntários que usou placebo, houve comprovação científica da eficácia”, reforça o professor.

“Também foram avaliados efeitos irritante e alergênico do produto, bem como efeitos fotoirritante e fotossensibilizador (reações à luz), que demonstraram segurança dermatológica”, enfatiza Frézard. O produto pode ser usado por homens e mulheres, de preferência no início do sintoma de queda capilar. “Quanto mais tempo passa, mais avançado é o estado da fibrose capilar e mais difícil de tornar o processo reversível”, pondera.

Patente depositada

Toda a pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanobiofarmacêutica (INCT NanoBiofar), plataforma que reúne pesquisadores da UFMG, Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Centro Universitário UniBH. A patente para a formulação criada pelos professores Robson Santos e Frédéric Frézard foi requerida pela Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT). A tecnologia foi licenciada para a empresa Alamantec, sediada no Parque Tecnológico BH-Tec, e passou a ser produzida pela Yeva Cosmétique, que vai comercializar o produto.

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